IFC, COBie, formatos abertos e a tensão real entre fornecedores. O que funciona, o que não funciona, e como reduzir atrito no fluxo cross-software.
O que é interoperabilidade
A definição técnica, do grupo de trabalho AFUL: "Interoperabilidade é a característica de um produto ou sistema, cujas interfaces são completamente compreendidas, pra trabalhar com outros produtos ou sistemas, presentes ou futuros, na implementação ou no acesso, sem quaisquer restrições."
Traduzindo pra BIM: capacidade de diferentes softwares trocarem dados de projeto sem perda de informação. Revit exportando pra Archicad sem virar polígono. Tekla importando do Revit sem quebrar armadura. Navisworks lendo IFC de qualquer origem.
Conclusão fundamental: não existe interoperabilidade sem padrões abertos. Por isso o IFC, COBie e BCF importam.
Por que ela cumpre só em parte
Apesar do discurso dos fornecedores, a interoperabilidade BIM hoje funciona na superfície: você consegue exportar geometria + metadados básicos entre softwares principais. Mas começa a falhar quando o projeto envolve:
- ·Famílias paramétricas complexas: o destinatário recebe geometria estática, perde a paramétrica.
- ·Parâmetros customizados: dependendo do esquema IFC, viram propriedades genéricas ou somem.
- ·Material e renderização: PBR materials raramente atravessam softwares.
- ·Coordenadas e georreferenciamento: ponto base, origem interna, Survey Point — cada software interpreta diferente.
Os formatos abertos que importam
Três formatos sustentam a interoperabilidade BIM hoje:
- ·IFC (Industry Foundation Classes): o "PDF do BIM". Geometria + metadata. Versão 2x3 universal, 4 evolução madura mas adoção parcial. Veja o post sobre IFC 4.
- ·COBie (Construction Operations Building Information Exchange): foco em facilities management — entrega ao operador da edificação a tabela completa de equipamentos, peças, fabricantes, garantia.
- ·BCF (BIM Collaboration Format): comentários, issues e revisões trafegando entre softwares. Em vez de printscreen e email, BCF carrega o ponto de vista + comentário + responsável de forma estruturada.
Como reduzir atrito no dia a dia
Algumas práticas que economizam dor de cabeça em projetos cross-software:
- ·Defina o IFC schema antes de exportar: 2x3 ou 4. Combina com o destinatário, registra no contrato.
- ·Use OmniClass nas famílias críticas. Quando o destinatário receber o IFC, vai ter classificação reconhecível (ver post sobre OmniClass).
- ·Exporta IFC e abre você mesmo num visualizador neutro (Solibri Viewer, BIMcollab Zoom) antes de mandar. Se você vir problema, o destinatário verá também.
- ·Use BCF pra trocar comentários, não email. Solibri, Navisworks, Revit têm plugins BCF gratuitos.
- ·Não dependa de geometria paramétrica entre softwares. Se vai converter, congela como geometria estática antes.
O fluxo BIM cross-software, com IFC, COBie e BCF na prática, está coberto no curso Tudo sobre BIM da Academy.