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Confira as mudanças no Decreto BIM BR 2020

Confira as mudanças no antigo decreto 9.983/2019 para a implantação do BIM no Brasil, publicado nesta sexta-feira 03 de março de 2020 no Diário Oficial da União. O decreto tem por base estabelecer a utilização do Building Information Modeling (BIM) na execução direta ou indireta de obras e serviços de engenharia, realizados pelos órgãos e entidades da administração pública federal.

A primeira mudança trata-se da nomenclatura (no artigo primeiro), alterando de “decreto” e passando a ser a “Estratégia de Implementação“, referenciando o artigo quarto, estabelecendo claramente a nova agenda de implementação do BIM e seus requisitos (exigências) mínimos.

O segundo artigo agora define quem disseminará a estratégia na esfera governamental, mas não limita as ações ao decreto, dando liberdade aos órgãos de elaborarem seus editais, podendo conter ações além das abordadas no decreto e na agenda de implementação. Em resumo, os órgãos com a disseminação BIM mais avançada poderão incluir suas próprias exigências e especificações em editais.

Das Definições

Agora o terceiro artigo, que antes instituía o Comitê BIM, define os parâmetros e terminologias da Estratégia BIM BR, como também os itens, componentes e projetos estarão submetidos ao decreto.

Das Fases de Implantação

O artigo quarto agora define o calendário de implantação da Estratégia BIM BR, determinando quais as fases e marcos legais em relação aos prazos e exigências em cada fase para a entrega de novos projetos em BIM.

Além disso, o artigo quinto, que antes se relacionava às competências do Comitê BIM, agora determina a aplicação do BIM, sendo realizada em uma ou mais etapas do ciclo de vida da construção, determinando que o edital e o instrumento contratual deverão prever a obrigação de o contratado aplicar o BIM em uma ou mais etapas do ciclo de vida da construção. Em resumo, o artigo determina que todos os contratados incluam em seus projetos os elementos BIM que poderão ser utilizados nas fases subsequentes da implementação da Estratégia BIM.

O sexto artigo agora trata das obrigações mínimas dos contratados em relação ao uso do BIM no contrato. Além disso, estipula a execução dos serviços com o cumprimento do programa de necessidades e das diretrizes do projeto de arquitetura e engenharia referencial, elaborado direta ou indiretamente pelo órgão ou pela entidade contratante, durante a fase preparatória da licitação da obra.

Um detalhe muito importante neste artigo está no inciso IX, determinando que os profissionais escolhidos pelo contratado deverá estar habilitado e comprovar experiência, conhecimento ou formação em BIM.

O sétimo artigo agora trata da transição de antigos projetos para os novos em padrão BIM, desde que justificada a contratação, permitindo ao governo licitar empresas para realizar a migração de antigos projetos para os novos padrões BIM.

Já o oitavo artigo, que antes tratava da finalidade do grupo técnico BIM BR e suas atividades de assessoramento, agora dispõe sobre os parâmetros mínimos para contratação dos projetos em BIM, determinando que sejam obedecidos certos padrões que atendam ao descrito no Artigo quarto.

O nono artigo agora trata dos parâmetros mínimos estabelecidos pelo decreto, das melhores práticas para a execução de fluxos de trabalho com o uso do BIM e quando couber, ao disposto nas normas técnicas intrínsecas ao objeto.

Das Disposições Transitórias

O décimo artigo estabelece agora um prazo para que órgãos e entidades especificadas no artigo segundo criem e editem os padrões que atendam ao decreto 10.306, estipulando o prazo de 90 dias para a criação dos respectivos cadernos de encargos, aderentes ao decreto.

Vigência

Com a atualização, agora é determinado que o decreto entre em vigor na data de sua publicação.

Em resumo

Agora o decreto está mais técnico e focado na execução da Estratégia BIM BR, especificamente nas fases de implementação, definindo as responsabilidades sobre cada etapa dentro da esfera pública.

 Fontes deste artigo:

Comparação escrita pelo professor Wladmir Araujo, através do LinkedIn (clique aqui e acesse o artigo original).

DECRETO Nº 10.306

DECRETO Nº 9.983

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Artigos BIM

Novo decreto da Estratégia Nacional de Disseminação BIM é aprovado

O benefício do grande detalhamento de projetos e a menor quantidade de erros com o advento da fácil compatibilização, alguns países, principalmente a Europa e os EUA estão na vanguarda estratégica para a implantação final do BIM em suas obras públicas. Com base nessas vantagens, o Brasil iniciou o mesmo processo com base no Decreto nº 9.377 de 17 de maio de 2018, instituindo o início da Estratégia Nacional de Disseminação do BIM.

Com algumas modificações devido a transição de governo, o decreto agora é identificado pelo nº 9.983 de 22 de agosto de 2019.

Disseminação BIM

A Modelagem da Informação da Construção consiste em uma metodologia de projeto que prioriza o máximo de detalhes e informações de tudo que está envolvido no empreendimento a ser feito, com a integração e colaboração simultânea dos diversos profissionais e disciplinas que compõe o projeto.

O conjunto de informações que podem ser agregadas ao projeto é enorme e feito de forma eficiente e rápida desde as etapas de concepção até as de execução e de vida útil. Por isso, a probabilidade de ter um projeto e orçamento com maior transparência e precisão aumenta com o uso da metodologia, pois tudo é feito corretamente e de modo acompanhado desde o início.

O que mudou do Decreto n°9.377 para o n°9.983?

Ambos os decretos instituem a Estratégia BIM BR, em que reúne um conjunto de iniciativas e objetivos a serem alcançados em determinados prazos para que o Brasil consiga até 2028 aumentar o PIB da Construção Civil que adota o BIM de 5% para 28,9%. Para isso, a estratégia também organizou alguns comitês responsáveis pela disseminação e aplicação dos objetivos estabelecidos, como o Comitê Gestor (CG-BIM), que foi o alvo das alterações na revogação do Decreto.

Basicamente, as alterações dentro desse Comitê aconteceram na especificação dos responsáveis e nos meios de administração e comunicação entre eles. Por exemplo, com o antigo Decreto nº 9.377, o Comitê tinha representantes de 9 ministérios, porém, com a união de alguns ministérios do novo governo, essa quantidade passou para 7.

Algumas competências também foram retiradas, como de elaborar e aprovar o seu regime interno. Também aumentaram a frequência de suas reuniões de a cada quatro meses para a cada três meses. Estabeleceram que os grupos de trabalhos devem ter caráter temporário e com duração não superior a um ano. Por fim, foi autorizado que os membros do Comitê que não residam no Distrito Federal podem participar das reuniões através de videoconferências, o que é um meio de provar o que a própria estratégia propõem, já que o BIM tem a capacidade de unir diversas equipes da mesma disciplina ou não, mesmo estando em lugares diferentes.

Como o Decreto pode te afetar?

O Decreto BIM afeta mais diretamente quem trabalha com obras públicas, porém, o simples fato de estar acontecendo a criação de legislações, plataformas e metas para o uso do BIM nos projetos do Brasil, demonstra o crescimento dessa metodologia e como ela tem se tornado a nova evolução na forma de realizar projetos até no nosso país. Portanto, o BIM é o futuro não somente para as obras do governo, mas também para as demais pela grande quantidade de benefícios que ele traz.